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    2019-06-12

    Assim como em relação KB-R7943 mesylate Cuba, os editores da revista Araucaria de Chile retomaram personagens históricos de modo a compor as representações sobre a Nicarágua revolucionária. Novamente, um poema do comunista Pablo Neruda foi publicado postumamente na revista, desta vez feito em homenagem a Augusto César Sandino, líder da rebelião armada contra a presença militar dos Estados Unidos na Nicarágua, entre as décadas de 1920 e 1930. Nas palavras do poeta chileno: Percebemos neste poema, intitulado Sandino, que Pablo Neruda estabeleceu severas críticas à política imperialista dos Estados Unidos concernente aos países da América Latina e do Caribe. O poeta glorificou a figura mítica de Sandino, realçando sua condição de símbolo da KB-R7943 mesylate resistência popular à dominação norte-americana. Torna-se necessário destacar que esse poema foi publicado em Araucaria de Chile em 1979, no quarto trimestre, poucos meses após os acontecimentos que levaram ao poder os revolucionários da fsln. Precisamente a respeito da atuação dos Estados Unidos sobre a Nicarágua, durante a década de 1980, esteve a discussão de Mario Benedetti, publicada em forma de artigo na revista Araucaria de Chile, número 24, no quarto trimestre de 1983. O intelectual uruguaio, com certo grau de ironia, afirmou que o porfiado ritual de morte tem tido na Nicarágua três oficiantes fundamentais, quais sejam, os terremotos, a dinastia Somoza e o poderoso vizinho do norte, sendo os dois últimos mais devastadores que os abalos sísmicos. Mario Benedetti se referia à cruenta ditadura da oligarquia Somoza, que governou a Nicarágua por mais de 40 anos, destituída do poder pela Revolução Sandinista, bem como aos Estados Unidos, que apoiaram, em muitos momentos, os Somoza, e manifestaram, no início da década de 1980, toda sua hostilidade e oposição ao governo da fsln. É importante destacar que os Estados Unidos financiaram as forças militares contrarrevolucionárias (contras), provocando conflitos armados, sobretudo no campo, entre os defensores da revolução e os contras, conflitos esses que somente se arrefeceram em 1987, por meio de acordos de paz. Mario Benedetti alertou, ainda, para uma possível invasão norte-americana na Nicarágua, que não seria a relative time primeira, implicando, para o uruguaio, em uma ruptura com o que ele denominou de pluralismo democrático em curso no país. Em seu texto Defensa de Nicaragua, com um título que já evidenciava seu discurso favorável ao país revolucionário, Eduardo Galeano, em um sentido próximo ao texto de seu compatriota Benedetti, condenou o bloqueio comercial imposto aos sandinistas pelos Estados Unidos e por outros países alinhados à política norte-americana, enfatizando a crise econômica que enfrentava a população nicaraguense, em grande parte decorrente dessa condição de isolamento político-econômico. Galeano argumentou que a política externa tão severa ao povo da Nicarágua foi feita de modo a enfraquecer os avanços na educação, na saúde e na comunicação promovidos pela revolução, embora não isentasse totalmente o governo sandinista em relação aos problemas enfrentados pela população do país. Ao referir-se aos que se opunham ao regime da fsln, Eduardo Galeano defendeu que “los opositores honestos, que los hay, tendrían que reconocer, al menos, que en estos siete años”, desde a implantação do governo revolucionário, “la revolución sandinista ha hecho lo posible y lo imposible por echar las bases de justicia y soberanía necesarias para que la democracia no sea un castillo en el aire”, uma formalidade imposta em que reina a hipocrisia e na qual o povo nada tem e nada decide. Ele clamou para que países, especialmente os latino-americanos, prestassem “ayudas que amplíen los espacios de libertad de esta joven revolución acosada”. Por fim, o historiador comunista Vladimir Eichin, na Araucaria número 34, afirmou que a realização da perspectiva histórica da Revolução Sandinista, que não poderia ser outra a não ser a construção de um novo regime social, pressupunha a luta permanente frente às contrarrevoluções interna e externa. Para ele, o movimento revolucionário de 1979 na Nicarágua significou a destruição das estruturas de dominação sobre a América Central e sobre o Caribe edificadas por décadas pelos Estados Unidos, inspirando as lutas dos revolucionários anti-imperialistas e dos que buscavam a democratização do Cone Sul, às voltas com as ditaduras militares.